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Quando a Sustentabilidade vai a Lugar Nenhum: A Conferência Ethos - 360 Graus de 2016 – Uma Sessão Pobre de Autoelogios

Hugo Penteado Nem quis mais participar em 2017. Não sei quem escolheu o termo infeliz de 360 graus para a conferência, mas é perfeito, a conferência deu a sensação nítida que giramos, giramos, giramos e não saímos do lugar. Na verdade saímos: estamos muito pior do que quando esse movimento todo começou há 20 anos atrás. Sustentabilidade que não muda absolutamente nada é pior do que não fazer sustentabilidade alguma, apenas pelo fato que cria uma sensação de que algo está sendo feito. Não está. Os troféus de sustentabilidade continuam sendo esgoto nas cidades, lixões, desastre causado pela Vale em Minas, desastre do Golfo do México, Alberta, desmatamento para monocultura, agrotóxicos em larga escala dizimando biodiversidade e insetos indispensáveis à vida, mudança acelerada do clima, concentração extrema e descontrolada de renda e riqueza, poluição ininterrupta, extinção da vida acelerada, etc. Não há um só indicativo bom nisso tudo, apesar de tanta conferência e crendi...

Airwashing: A Fraude do Mercado de Carbono

Julio F. Campos Este artigo é dedicado a expor como o mercado de crédito de carbono ajuda as empresas a fugirem de suas responsabilidades com o meio ambiente e a saúde da sociedade em seu entorno.   Hoje em dia, quando uma corporação fala sobre sustentabilidade ambiental, os primeiros resultados apresentados são as reduções das emissões de carbono. Embora algumas delas consigam essa redução utilizando fontes renováveis, mas apresentando apenas os resultados com melhores reduções, e não o ciclo de vida inteiro, muitos usam o mercado de carbono para calcular suas reduções de emissões. O princípio por trás do mercado de carbono é simples, a empresa A emite X toneladas de carbono, a empresa B faz com que a biomassa sequestre X toneladas, gerando créditos de carbono. A empresa A compra créditos de carbono da empresa B e neutraliza assim suas emissões de carbono. Como exemplificado pela Dr. Katharine Hayhoe uma analogia interessante para entender por que o sis...

As novas roupas de "plástico" do imperador

Julio F. Campos Desde a invenção da baquelita em 1907, resíduos ou produtos plásticos foram jogados acumulativamente nos rios e consequentemente pelos oceanos. A consequência é a não existência uma única praia no mundo onde os resíduos de plástico não estão presentes. Após a poluição do ar, esta é provavelmente a nossa segunda pegada global. Durante mais de cem anos estamos poluindo os oceanos, mas desde que o problema dos grandes remendos de lixo no Pacífico atingiu a imprensa e as mídias sociais nos últimos anos, o problema ganhou atenção pública. Que ela tenha sido descoberta em 1988 e nós ficamos durante anos sem se importar com isso é de menor importância. A primeira tentativa de lidar com o problema e tentar remover o plástico em larga escala foi concebida por Boyan Slat em 2011, que iniciou a iniciativa de crowdfunding e ainda está na fase de teste do protótipo, ainda anos de efetiva operação 24/7 em reais condições do mar aberto. À medida que o p...

O Lado B da Economia Circular

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Julio F. Campos A economia circular (EC), ou regenerativa, já há alguns anos, vem despontando como uma revolucionária alternativa ao corrente modelo de produção sendo abraçada por um crescente número de governos e empresas. Seu conceito visa introduzir no sistema produtivo mecanismos de feedback similares aos existentes em sistemas naturais, eliminando a característica linear explore-produza-descarte em favor de uma estrutura baseada em ciclos de reuso e reciclagem reduzindo, assim, tanto o volume de resíduo descartado quanto o de insumos naturais explorados. Modelo básico da estrutura da Economia Circular Englobando diferentes iniciativas, como do berço ao berço, biomimetismo ou ecologia industrial, neste cenário o meio ambiente deixaria de ser um mero reservatório de recursos / resíduos, mas um coadjuvante do processo econômico, fornecendo propostas para o desenvolvimento de soluções econômicas sustentáveis. Ou assim parece. Os Feedback Embora a C...

A Prostituição dos Sustentáveis

Julio F. Campos Desde 1972, o mundo está discutindo os problemas ambientais. Por que ainda estamos lutando com os mesmos problemas? Por nenhuma solução palpável ainda não foi implementada? Apesar de toda propaganda por ações corporativas sustentáveis, onde são os resultados? Com todo o conhecimento acumulado, por que a sociedade não está se movendo em direção a uma maneira sustentável de ser? São questões inconvenientes que escondem uma verdade inconveniente.   Neste artigo, o perverso motivo subjacente será apresentado levando o leitor a visitar o outro mundo da sustentabilidade. Ao lidar com questões e preocupações ambientais e de desenvolvimento sustentável em nossas vidas, aqueles que estão preocupados com a atual situação socioambiental do planeta estão cada vez mais desconfortáveis com a posição dos autoproclamados "profissionais da sustentabilidade". "Por que os profissionais responsáveis pela sustentabilidade estão fazendo isso tão devagar?...

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Ecodesenvolvimento vs. Desenvolvimento Sustentável